Irmã Maria Rebola, 103 anos de Fé
CERIMÓNIA DE HOMENAGEM EM SETE RIOS
A irmã Rebola juntou mais um ano à sua vasta colecção de um centenário e três anos. Extremamente lúcida, é incrível perceber como Deus a tem conservado e protegido fisicamente.
Uma mulher de fé, exemplo de vida para todos nós. A sua igreja local, em Sete Rios – Lisboa, preparou uma cerimónia de homenagem, na qual a Revista Novas de Alegria este presente.
No sábado, dia cinco de Abril do ano de 2008, em Lisboa, Sete Rios, foi realizada a cerimónia de homenagem à irmã Rebola, pelos seus 103 anos, completos no dia 24 de Março. Uma cerimónia cheia de significado e valor para esta irmã.
Desde tenra idade a irmã Rebola lia a Bíblia: Porque eu fiz a quarta classe e já não tinha livros para ler, aqueles meus livros, as histórias bonitas. Um dia vou dar com um caixote na casa dos meus pais e estava bem cheio, ou mais, de livros. Aquilo para mim foi um tesouro! Até que um dia meti assim a mão lá bem no fundo, e dou com um grande livro de capas pretas, a Bíblia. Passava, então, dias inteiros a ler a Bíblia, sem ninguém me explicar, aquilo caiu no meu pensamento, em mim, ficou a coisa mais pura, mais verdadeira e mais santa que havia.
A irmã encontrava-se no meio do “palco” e toda a cerimónia foi realizada em volta dela. Um grupo de mulheres africanas deliciou-nos com coros de louvor a Deus, em crioulo e em português, envolvendo a irmã numa roda melodiosa. Também um grupo de crianças. Com seus poemas, ofereceram rosas brancas, cheias de carinho, e um grupo de jovens e adolescentes com coreografias e jograis ofereceram louvores a Deus, pela vida da irmã Rebola.
Durante o percurso de sua vida, foi professora de Escola Dominical, na grande Lisboa: Lembro-me do amor do Senhor nas crianças. Uma criança pequenita fés anos, e a avó deu-lhe 25 tostões. Ela fechou aquilo na mão, chega ao pé de mim, na Escola Dominical: Tome lá, irmã Rebola. Isto ficou marcado, uma criança pequena, que dá um donativo, que é dinheiro que eles gostavam tanto, e ela quis dar-me!
No final da cerimónia vários pastores tiveram a palavra. Recordaram momentos passados com Maria Rebola, momentos nas igrejas por onde ela passou, o grande trabalho que fez. Com suas palavras honraram-na pelo que Deus fez na sua vida, como a usou na obra, e o seu percurso de fé, não esquecendo que, provavelmente, é o membro mais antigo das Assembleias de Deus em Portugal.
Casei, não pedi ao meu pai nem à minha mãe pratas, nem ouro, nada! Mas roubei-lhe a Bíblia. Diz o nosso irmão Barata, a irmã não diga roubou, diga que levou emprestada. Mas eu roubei, claro, eu não lha pedi.
Inês Vieira
Novas de Alegria, Junho 2008, nº 785, pág. 44